Acreditar que pode atingir os resultados que pretende é importante, mas muito mais importante é acreditar que pode conquistar as habilidades que lhe vão permitir conquistá-los. Muitos de nós acreditamos que a inteligência, personalidade e atitudes são imutáveis – independentemente do que possamos fazer não há forma de melhorar.

Como resultado, a maior parte das pessoas foca-se em objetivos que servem apenas para provar que são capazes, em vez de ser focarem em objetivos que as obriguem a desenvolver e adquirir novas competências e habilidades.

Felizmente décadas de investigação científica, permitiram que hoje se saiba que a crença em habilidades imutáveis está completamente errada – competências de todas as espécies são profundamente maleáveis. Assumir que pode mudar vai permitir-lhe fazer melhores escolhas e atingir o seu máximo potencial. Pessoas que se focam em melhorar em vez de serem espetaculares, têm que ultrapassar resistências mas apreciam o caminho assim como o destino.
Enquanto há profissionais que estão desejosos de enfrentar novos desafios, por diversão mas também com a expetativa de que isso os ajude a escalar a montanha corporativa, outros apenas estão a tentar sobreviver, defendendo-se para não cometerem erros.

Ser responsável por algo novo e pouco familiar é compreensivelmente assustador. As probabilidades de errar aumentam incrivelmente quando se é inexperiente. Não é de admirar que as pessoas não fiquem muito entusiasmadas com novas atribuições.

Então como pode abordar novas responsabilidades com confiança, motivação e energia? A resposta é simples. Dê autorização a si próprio para fazer asneiras. É a melhor forma de aprender.

Provavelmente esta não é a resposta que esperava. Deve estar a pensar “se fizer asneira, sou eu que vou pagar o preço”. A verdade é que não necessita de se preocupar muito com isso. Todos os estudos indicam que quando as pessoas estão autorizadas a cometer erros, a probabilidade de os cometerem baixa incrivelmente. As pessoas abordam qualquer tarefa com um de dois objetivos:

  1. Objetivo de ser bom, em que o foco está em provar que tem muitas competências e que já sabe tudo e
  2. Objetivos de melhorar, em que o foco está em desenvolver as habilidades e em aprender a dominar novas competências para até atingirem a performance que pretendem.

O problema com os objetivos de ser bom é que eles são contraproducentes pois, quando nos confrontamos com algo novo ou difícil rapidamente nos começamos sentir pouco competentes e isso cria muita ansiedade. Estudos sem fim têm demonstrado que nada interfere mais com a performance do que a ansiedade. É o verdadeiro assassino da produtividade.

Por outro lado objetivos de ser melhor são á prova de bala. Quando pensamos acerca do que fazemos em termos de aprendizagem e mestria e aceitamos que podemos cometer erros ao longo do caminho, mantemo-nos motivados apesar de todos os percalços que possamos encontrar.

Quando muitos de nós assumimos um novo projeto e esperamos ser capazes de realizar o trabalho perfeitamente, independentemente do nível de desafio poder ser muito elevado. O nosso foco está em sermos bons e a perspetiva bem real de falharmos no cumprimento das nossas expetativas pode ser assustadora. A ironia é que esta abordagem resulta num maior número de erros e numa pior performance quando comparada com a de ser melhor.

Mas não é só isto. A pesquisa demonstra que o foco em melhorar aumenta exponencialmente a experiência de trabalhar. Naturalmente passamos a achar que o que fazemos é muito mais interessante e divertido quando pensamos em termos de progresso em vez de perfeição. E se pensa que o interesse no trabalho que desenvolve é um mero luxo, deixe-me desde já assegurar-lhe que não. É um motivador incrível. Achar que o que faz é interessante e acreditar que tem um grande valor intrínseco é uma das formas mais efetivas de se manter motivado, independentemente das dificuldades e recuos inesperados. De facto uma série de estudos recentes demonstram que o interesse não o mantém apenas em progresso apesar da fadiga, na realidade elimina a fadiga reponde a sua energia.

Em alguns estudos recentes, foram atribuídas tarefas particularmente exigentes e interessantes a alguns participantes, enquanto que aos restantes foram atribuídas tarefas fáceis e sem interesse. Nestas experiências os cientistas concluíram que as pessoas que trabalharam em tarefas interessantes colocaram muito mais esforço e obtiveram melhores performances (apesar do cansaço) que as outras que trabalharam em tarefas aborrecidas, apesar de serem mesmo muito mais difíceis que as tarefas aborrecidas. Experienciar interesse restaurou-lhes a energia permitiu-lhes ganhar uma vantagem considerável em relação aos demais.

Num outro estudo, os investigadores descobriram que experienciar interesse pelas tarefas resultou numa melhor performance também em tarefas subsequentes. As pessoas não só fizeram um melhor trabalho na tarefa em questão porque a consideraram interessante como faz também um trabalho melhor na tarefa seguinte porque consideram a tarefa anterior interessante. A reposição de energia fluiu para o que fizeram a seguir. Incrível!

Estes estudos tiveram alguns resultados acidentais, como a comparação dos efeitos do interesse nas tarefas com os do bom humor. Enquanto as pessoas conseguem alguma reposição de energia com aquilo que considerado como felicidade, conseguem muito mais por estarem interessadas no que estão a fazer.

Permitir-se não fazer tudo de forma perfeita desde o princípio e reconhecer que vai ter uma curva de aprendizagem que necessita de tempo, vai tirar a ansiedade da equação. Vai conseguir conectar-se com o que é realmente importante e recompensador no seu trabalho e na sua vida. E ao fazê-lo, não vai só aumentar a motivação mas também reduzir dramaticamente as possibilidades de cometer erros. E ao fazê-lo com menos esforço vai obter mais resultados!

Marco Meireles

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