O que é que pessoas envolvidas em voluntariado, ajuda social, defesa dos animais e religião, têm em comum? Estudos muito recentes indicam que as pessoas que participam neste tipo de atividades vivem mais tempo. Num estudo de Oman, Thoresen, & McMahon, foi demonstrado que os voluntários têm uma taxa de mortalidade 60% mais baixa do que os não voluntários. Pessoas envolvidas em ajuda social têm uma taxa de mortalidade 50% inferior em comparação com pessoas que não estão envolvidas nessa atividade. Pessoas hipertensas que possuem animais têm em média a tensão arterial mais baixa e uma vida mais longa do que quem não possui animais. Religiosos praticantes têm uma esperança média de vida superior às pessoas não praticantes ou praticantes pouco frequentes. Estas descobertas que têm a longevidade como aspecto central, apontam para um elemento comum: o propósito. Estas pessoas têm algo que dá sentido às suas vidas. Algo a que se dedicam e que faz com que as suas vidas valham pena.

A melhor e mais simples definição de propósito, encontrei-a num artigo de Kashdan e Mcknight: propósito é um objetivo na vida, central e auto-organizador. Central, porque, quando está presente, estrutura, organiza, estimula e dirige os  objetivos e fornece uma sensação de significado. É auto-organizador, pois fornece uma estrutura para os padrões de comportamento sistemáticos da vida diária. A auto-organização é evidente no esforço que  as pessoas dedicam aos objetivos que criam e nas decisões que tomam quando são confrontados com opções, que competem entre si, em relação à gestão de recursos, como o tempo e a energia.

Assim, o propósito, não é magia, é antes, um processo cognitivo que alinha os objetivos que as pessoas pretendem atingir e dá sentido à vida. Esforçarmo-nos e progredirmos em direção aos objetivos de vida fornece uma poderosa, significativa e renovável fonte de compromisso e significado. Motiva as pessoas a dedicarem recursos em direções particulares e para determinados objetivos em detrimento de outros.

As pessoas que vivem de acordo com um propósito:

  •   São mais focadas nos objetivos, consistentes nos seus comportamentos e resilientes  quando confrontadas com obstáculos;
  • Mantêm uma motivação elevada ao longo do tempo, sem oscilações; devido ao facto desta ser gerada por um nível superior de processamento cognitivo, distanciando-se das motivações primárias como, comida, segurança e prazer.
  • São mais flexíveis quando se deparam com novas exigências, obstáculos  ou oportunidades. Adaptam-se, aproveitam as oportunidades e evitam as dificuldades.

Dê um sentido ao que faz e terá mais resultados sem se esforçar mais

Dan Ariely, economista comportamental da Universidade de Duke, pediu a um grupo de participantes que montassem peças de lego de forma a criarem algo parecido com um bionicle. De cada vez que os participantes montassem um bionicle, recebiam dinheiro. Recebiam $2,00 pelo primeiro bionicle montado, $1,89 pelo segundo, $1,78 pelo terceiro e por aí fora. A alguns participantes foi dito que os bionicles que montassem iriam ser dados como brinquedos a crianças carenciadas. Esses participantes sentiram que essa tarefa tinha um propósito: faria algumas crianças felizes.

Por contraste, aos restantes participantes, foi dito que os bionicles que montassem, iriam ser desmontados, para que outros participantes os voltassem a montar no futuro. Estes participantes sentiram que montar as peças de lego era uma atividade sem significado, apesar de ser remunerada. Dan Ariely, estava muito interessado em perceber em que medida a tarefa ser significativa impactava o número de bionicles montados. Em média aqueles que tinham a tarefa com significado, montaram 2,5 bionicles a mais do que os que estavam na condição de realizar tarefas sem significado. Estes resultados provavelmente não o surpreendem. Acontece com todos nós. Basta decidirmos o porquê de fazermos as coisas.

Talvez se recorde que em meados da década de 90, a Microsoft lançou uma enciclopédia chamada Encarta.  Pagou principescamente a profissionais para escrever e editar milhares de artigos e a gestores para garantirem que o projeto cumpriria o orçamento e os timings previstos. Alguns anos mais tarde, nasceu uma outra enciclopédia. Um modelo diferente. Um modelo “faz-pelo-gozo”. Ninguém recebia um Centavo, um Euro ou um Yen.

Há 10 anos atrás, não era possível encontrar um único economista sóbrio em qualquer lugar do planeta, que tivesse previsto que a Wikipedia vingaria. Aconteceu pela vontade das pessoas fazerem as coisas pelo gozo e pelo significado.

Como fazer com que o seu emprego lhe comece a satisfazer – de um dia para o outro

Muitas pessoas passam uma grande parte da vida em empregos e a realizar atividades em que não acreditam ou para as quais não se sentem verdadeiramente motivadas e identificadas. Imaginaram em determinada altura uma certa experiência de vida e acabaram viver outra. Esta é uma grande fonte de frustração.

As pessoas que têm uma razão, um porquê para o que fazem, encaram as suas experiências no trabalho como uma fonte de elevado significado pessoal e social. Veêm os seus trabalhos como agradáveis por si só e sentem que através deles se realizam e oferecem uma valiosa contribuição para a sociedade.

A grande diferença entre estas duas situações, não se encontra nos empregos em si, mas na experiência das pessoas. E esta é totalmente afectada pelo sentido que as pessoas conseguem dar ao que fazem. Mas lá está, como podemos então dar um sentido aos nossos dias e identificar um propósito para o nosso trabalho?

Executivos com quem tenho trabalhado afirmam que o facto de terem dado sentido ao que fazem foi crítico para acelerarem o seu desenvolvimento, aumentarem o impacto a nível pessoal, social e profissional e, essencialmente, aumentarem objetivamente os seus níveis de felicidade. O processo de articular um propósito e encontrar coragem para o viver, é claramente uma das mais recompensadoras ferramentas de desenvolvimento pessoal e profissional que pode utilizar. A partir desse momento ganha uma razão de peso para fazer o que faz. E quando sabemos porque é que fazemos as coisas, ficamos muito mais envolvidos com a experiência e aí, o desenvolvimento, o gozo e os resultados são inevitáveis. Não está relacionado com esforço, está relacionado com significado. Com o facto de termos consciência que estamos a levar uma vida com sentido. O propósito dá sentido ao que fazemos, assim como a competição dá sentido ao treino de um atleta.

Pergunte-se diariamente qual é a finalidade do meu trabalho? Quem vai beneficiar com o seu empenho? Que tipo de experiência e satisfação está na disposição de oferecer aos outros? Que utilidade deseja ter para as outras pessoas? Como quer ser visto por elas?

Quando se retirar da equação, deixar de se focar na sua insatisfação e começar a servir os outros, vai ver que, quase por magia, começará a ter muitas razões para fazer o que faz e garantindo enorme satisfação no seu trabalho. No trabalho e na vida ou somos vítimas ou somos criadores. A escolha é sua!

Ganhe no seu mundo. Treine no nosso.
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