Este artigo saiu primeiro no Oje, dividido em 3 artigos, nos seguintes links

Líderes felizes são eficazes? (parte I) – 14/04/2016

Líderes felizes são eficazes? (parte II) – 20/04/2016

8 dicas para se tornar gradualmente mais feliz – 28/04/2016

Segue o artigo completo…

Lideres felizes são eficazes?

O João está sentado na sua secretária a examinar o seu correio eletrónico enquanto várias dezenas de emails continuam a chegar ao seu inbox. Ao mesmo tempo, está a falar ao telefone – noutra língua – com um colega, enquanto o seu telemóvel toca.

Parece importante! Abana as duas pernas, morde os lábios e vai dando uns goles no café. Está tão envolvido em multitasking que se esqueceu da reunião com a sua equipa há 15 minutos. O João não está louco. A sua experiência é a norma numa elevada percentagem de profissionais sobrecarregados e resulta de uma exposição, elevada e prolongada, a inúmeros e intensos estímulos, o que provoca uma redução drástica da energia, no controlo emocional e a um défice na atenção.

A pressão e a velocidade nos negócios e na vida moderna está a transformar os líderes corporativos em pessoas frenéticas, infelizes, agressivas e em sub-rendimento.

Os principais sintomas são distração, impaciência e frenesim. As pessoas ficam com dificuldades em organizar-se, em definir prioridades, em gerir o tempo e muito importante, em comunicar. Estes sintomas podem minar a performance e comunicação da pessoa mais talentosa.

Abençoados com o maior córtex da natureza, donos deste órgão com triliões de células, colocamos uma pressão muito singular nos lobos – frontal e pré-frontal – os quais irei referir apenas como lobos frontais. Esta região governa aquilo a que se chama, apropriadamente, de Funcionamento Executivo (FE). O FE guia a tomada de decisão e o planeamento, a organização e priorização de informação e ideias, a gestão do tempo e muitas outras tarefas de gestão, sofisticadas e unicamente humanas. Enquanto os nossos lobos frontais permanecerem no comando, está tudo bem.

Abaixo dos lobos frontais, encontram-se as áreas do cérebro dedicadas à sobrevivência. Estes centros profundos governam funções básicas: como o sono, a fome, o desejo sexual, a respiração e a frequência cardíaca, bem como, de uma forma grosseira, as emoções – tanto positivas como negativas.

Quando alguém está bem, estes centros profundos enviam mensagens de excitação, satisfação e alegria. Eles estimulam a motivação, favorecem a empatia, ajudam a manter a atenção e não interferem com a memória de trabalho. Mas quando alguém é confrontado com a sexta decisão depois de ter sido interrompido cinco vezes, ao mesmo tempo que recebe um email a rejeitar uma proposta e o documento que estava a elaborar desaparece do computador, o cérebro entra em pânico, reagindo exatamente da mesma forma como se essa sexta decisão fosse um tigre com sede do seu sangue.

Na verdade, o problema mais perigoso e incapacitante – que não pode ser, formalmente, diagnosticado, é o medo. O medo coloca-nos em modo de sobrevivência e impede a aprendizagem e a compreensão, elimina a perspetiva, a empatia e a comunicação eficaz. Certamente, se um tigre real estiver prestes a atacá-lo, vai querer estar em modo de sobrevivência. Mas se quiser lidar com as pessoas e criar relações positivas e de confiança o modo de sobrevivência é totalmente inútil e contraproducente.

Quando os lobos frontais começam a ficar sobrecarregados, começamos a sentir medo, a duvidar de nós próprios e a questionar a nossa capacidade, a flexibilidade o sentido de humor e a habilidade para lidar com as pessoas e com o desconhecido desaparece

Quais as características de um bom líder?

Tudo começa e acaba na liderança. A responsabilidade pelos resultados, pela produtividade e pela criatividade das equipas, é em última instância dos seus líderes.

Uma definição simples, mas muito acertada, indica que liderança é: ‘levar as pessoas para um lugar que não conhecem’. Porque liderança implica movimento. E como é que as pessoas vão com alguém para um lado que não conhecem? Têm que confiar. E como é que confiam? Têm que se sentir bem tratadas, seguras e especiais. Têm que percecionar o seu trabalho e as suas opiniões contam. Esta realidade, infelizmente, não é muito comum nas corporações do nosso país. Porquê?

Há três características que saltam à vista num líder efetivo. É visionário, comunica eficazmente e é exemplar (significa que transforma em comportamentos, a filosofia e os valores da organização).  Nos dias que correm já ninguém lidera equipas. Lideram-se indivíduos, com comportamentos e uma comunicação adaptada a cada um deles, nomeadamente comportamentos de elogio e redireção. Só desta forma é possível aumentar a produtividade e corrigir desvios individuais no progresso em direção à visão da organização.

Os gestores, mais vezes do que desejaríamos, apesar de quererem produzir comportamentos positivos, empáticos e interessados, não o conseguem fazer e acabam muitas vezes por fazer exatamente o contrário. Em vez de elogiarem um trabalho bem feito, encontram os defeitos; em vez de ensinarem as pessoas, gritam com elas; em vez de se interessarem pelas pessoas, responsabilizam-nas; em de oferecerem um feedback imediato, específico e na primeira pessoa, deixam arrastar situações e tratam dos problemas nas costas dos colaboradores.  Apesar destes comportamentos pronunciarem muito maus resultados, enganamo-nos se pensarmos que a maioria dos líderes os têm propositadamente. Na esmagadora maioria das situações, os líderes estão desequilibrados emocionalmente, e a sua experiência subjetiva, devido ao seu estado, não lhes permite ter uma perspetiva positiva da realidade em que estão inseridos.

É possível ter liderança e felicidade?

Uma célebre experiência levada cabo por dois investigadores, Jim Kouzes e Barry Posner, teve como finalidade analisar o fator crítico para o sucesso de um gestor. Nessa experiência identificaram que um resultado elevado em termos de afeto, quer expresso, quer desejado, distinguia significativamente os gestores do quartil superior dos do quartil inferior.

identificaram também que os gestores com melhores resultados a médio/longo prazo demonstraram ser mais calorosos e simpáticos para com os outros do que os gestores incluídos nos 25% inferiores. Estes gestores são mais próximos das pessoas e têm uma abertura significativamente maior para partilhar pensamentos e emoções do que os seus pares com desempenhos inferiores.

A última conclusão deste estudo, acredito que todos nós já tínhamos intuído: em circunstâncias semelhantes, trabalhamos mais arduamente e com maior eficácia para as pessoas de quem gostamos. E gostamos delas na proporção direta de como nos fazem sentir.

Para quem, no mundo corporativo, ainda acredita que a forma mais eficaz de liderar e levar as equipas à concretização dos objetivos estipulados é comportar-se como um tirano, este estudo vem demonstrar que, se os gestores realmente se quiserem comportar assim, irão posicionar-se na rapidamente no percentil mais baixo

A questão é que muitas vezes, por muito que desejem, os gestores não conseguem estar ao seu melhor nível, ou seja felizes. Mas deviam aprender, porque a felicidade, para além de ser mais agradável, dá dinheiro.

Esse é um dos focos do meu trabalho. Encontrar protocolos que todas as pessoas possam utilizar para se tornarem gradualmente mais felizes. Deixo algumas dicas:

1. É fundamental aceitarmos as emoções dolorosas (ansiedade, tristeza frustração, deceção) pois fazem parte da vida. Se não fizessem sentido, não existiriam. Quando nos permitimos ser humanos e experimentar toda uma gama de emoções, abrimo-nos para a dor, mas também para as emoções positivas;

2. Nunca confundir sucesso com felicidade. A felicidade não se relaciona diretamente com um status a atingir e sim com um estado mental;

3. É importante assumir que felicidade e otimismo são habilidades que podem ser aprendidas (porque podem mesmo);

4. Controlar do tempo. É fundamental planear o tempo de trabalho, mas da mesma forma o tempo de qualidade que passamos com familiares e amigos. O tempo investido desta forma é indicador de bem-estar, ao contrário, por exemplo, daquele que é gasto a enviar mensagens de texto ou a navegar no Facebook.

5. Fazer menos coisas em vez de tentar esgotar o tempo permite ganhar qualidade em relacionamento e em resultados.

6. Focarmo-nos nas coisas importantes (que nos motivam) mas que conseguimos controlar. Tudo o que é importante e não conseguimos controlar gera ansiedade.

7. Exercício físico. Está demonstrado que 30 a 40 minutos de atividade aeróbia várias vezes por semana equivalem a tomar alguns dos medicamentos mais eficientes no combate à tristeza e à depressão.

8. Escrever um diário à noite, antes de dormirmos, em que anotamos as coisas pelas quais estamos gratos e também o que estamos entusiasmados no dia seguinte, estimula a sensação de satisfação, otimismo, generosidade e benevolência, além de fortalecer o sistema imunológico.

Mais importante que o talento é o entusiasmo, pois é o elemento essencial para desenvolver experiências e aprendizagens. E esta é uma característica das pessoas felizes. Caixa

No mundo organizacional, a felicidade e o bem-estar dão a lucro. Que o digam empresas como a McDonald’s ou a Google.

Ganhe no seu mundo. Treine no nosso.
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