Nos dias que correm fala-se muito de motivação. Mas ainda mais de desmotivação e de pessoas desmotivadas. Infelizmente essa informação não corresponde à realidade. Não existem pessoas desmotivadas… existem objetivos que não são motivadores. Dois conceitos muito diferentes. Um retira-nos o controlo e o outro responsabiliza-nos totalmente pela nossa própria motivação.

Como é possível? Vamos socorrer-nos da ciência para obtermos algumas respostas. A motivação conduz a comportamentos intensos e objetivos, assegurando determinadas ações motoras num tempo específico. Existem dois tipos de motivação: Pulsões e Motivos. As pulsões são atos de motivação relacionados com sobrevivência como a fome, a sede ou perigo. Os motivos estão relacionados com mecanismos primários sociais e psicológicos.

As pulsões ativam o hipotálamo que está integrado no sistema límbico ou emocional, essencial no controlo das emoções e sobre o qual não temos controlo consciente.
Os motivos ativam o estriado, o córtex orbito frontal e a ínsula (Schultheiss et al, 2008; Hall et al, 2010). O Córtex orbito-frontal é uma região fixada nos lobos frontais do cérebro e está envolvido no processo cognitivo do processo de tomada de decisão. Esta é uma grande notícia. A motivação pode ser trazida para a luz da consciência e desta forma, ser controlada.

Descobertas recentes em neurociência cognitiva, motivação e aprendizagem têm demonstrado o papel crítico da dopamina do mesencéfalo. Esses estudos sugerem que os neurónios dopaminérgicos do mesencéfalo sinalizam um erro estimado de recompensa, permitindo ao organismo prever e atuar intencionalmente para aumentar a probabilidade de ser recompensado no futuro.

O cérebro interpreta a ativação dos neurónios dopaminergicos como uma aprendizagem reforçada (tentativa e erro), a partir de uma recompensa. O neurotransmissor dopamina e o seu alvo mais premente, o estriado, representam um ponto chave na ligação entre a motivação e a ação (Daw et al, 2008). Lembre-se, não há motivação sem ação.

Resumindo, a motivação provem da possibilidade de existir uma recompensa. Para haver um aumento de motivação, o indivíduo deve, mais do que no objetivo, estar essencialmente focado na recompensa. O cérebro está muito mais interessado em recompensas do que em objetivos.

Tem recompensas associadas a todos os seus objetivos e tarefas? Se sim, é garantido que não tem problemas de motivação. Se a resposta for negativa, comece hoje mesmo a definir um propósito para as suas ações. Se não encontrar… então esta é a altura certa para mudar algumas coisas na sua vida. Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.

Marco Meireles

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