A felicidade implica sucesso. O inverso já não se verifica, pelo menos na mesma proporção.

Num estudo muito famoso os investigadores quiseram perceber, em alunos finalistas do ensino universitário, que fatores fariam a diferença no sucesso e na felicidade, quando entrassem no mundo real.

Perceberam que parte dos estudantes tinha aspirações extrínsecas como enriquecer ou ter fama. A outra parte tinha aspirações intrínsecas como ajudar os outros a tornarem as suas vidas melhores, desenvolverem-se pessoalmente ou mesmo garantir um elevado nível de conhecimento ou de performance. Depois dos alunos terem vivido no mundo real, sensivelmente dois anos, os investigadores analisaram como se estavam a sair.

Os que tinham aspirações intrínsecas – objetivos ligados ao sentido e ao propósito – achavam que estavam a alcançá-los e reportaram níveis mais elevados de satisfação e bem-estar do que quando foram analisados dois anos antes, ainda na universidade. Reportaram também níveis muito baixos de ansiedade e depressão. É natural que ache que não há nada de surpreendente. Os ex-estudantes tinham estabelecido um objetivo significativo e sentiam que estavam a alcançá-lo. Tudo certo. Neste tipo de situações, a maior parte das pessoas sentir-se-ia bem.

No entanto, os resultados obtidos pelos ex-alunos cujos objetivos eram materiais foram bem mais modestos. Aqueles que diziam estar a alcançar os seus objetivos – começavam a acumular riqueza e prestígio – não demonstraram níveis de satisfação, amor-próprio e bem-estar superiores aos que tinham quando eram estudantes. Estavam a alcançar os seus objetivos mas isso não os deixava mais felizes. Pior, demonstraram aumentos consideráveis de ansiedade, depressão e outros indicadores emocionais negativos.

As conclusões do estudo foram muito claras: perseguir e alcançar um certo tipo de objetivos, neste caso, materiais, não só não tem qualquer impacto no bem-estar, como ainda contribui para o mal-estar.

Para os investigadores, estes resultados significam que, mesmo que alcancemos o que queremos, nem sempre o que queremos é aquilo de que precisamos. As pessoas mais orientadas para alcançar objetivos extrínsecos, ligados à riqueza, têm maior probabilidade de os alcançar, sem dúvida, mas nem por isso deixam de ser infelizes.

Com a apresentação destas conclusões, não estou a insinuar que os aspetos extrínsecos não têm a sua importância. No entanto, não são, de longe, os mais importantes motivos para o alto desempenho. Se considerarmos os feitos mais importantes da história – ciência, tecnologia, saúde – apercebemo-nos que a chama que manteve os criadores a trabalhar ininterruptamente, com entusiasmo e alegria, foi o propósito e o sentido que atribuíram ao que estavam a fazer, muito mais do que aos aspetos materiais. O sucesso que obtiveram foi uma consequência agradável e inevitável do mérito. Pessoas com mérito acabam por ser recompensadas financeiramente. Algumas delas ficam famosas e, no entanto, não era nada disso que perseguiam.

O caminho é simples. Identifique um propósito para o que faz. Como pode contribuir para as pessoas, para a comunidade, para o seu país ou até para o mundo com o seu trabalho? Se não conseguir encontrar um propósito superior para as suas atividades, acrescente responsabilidades às suas atribuições, de forma a sentir-se muito útil. Nesse momento muda tudo. A experiência de trabalhar e consequentemente a alegria de viver aumentarão consideravelmente. O aumento da performance e o reconhecimento vão acontecer, mas serão apenas efeitos secundários. Experimente e desconfio que vai mudar tudo, para muito melhor!

Estamos juntos!

Forte abraço,
Marco Meireles

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