MODOS DE PENSAMENTO

O que faz quando não consegue encontrar uma solução para um problema ou mesmo lembrar-se de algo?
Mesmo que lhe apeteça muito, já percebeu que não vale a pena bater com a cabeça na parede.
Se entender apenas um pouco sobre alguns princípios básicos de como o cérebro funciona, vai aprender mais, reduzir o tempo de aprendizagem e de resolução de problemas enquanto elimina a frustração e a ansiedade.
Investigadores nas áreas das neurociências e da educação, descobriram que temos dois modos, fundamentalmente, diferentes de pensar. Vamos chamar-lhes modos de pensamento focado e difuso.
Estamos familiarizados com o modo focado. É quando nos concentramos, intencionalmente, em algo que estamos a tentar aprender, compreender ou executar.
Não estamos é tão familiarizados com o pensamento difuso. Este estilo de pensamento mais relaxado está relacionado com um conjunto de estados de repouso neurais.
O modo focado representa um padrão de pensamento familiar. Pode envolver qualquer aspeto, desde operações de somar ou multiplicar a ideias mais avançadas, como a crítica literária ou o cálculo de fluxos eletromagnéticos. Qualquer coisa. Tem um pensamento e, zás, neste modo, avança, imediatamente, para uma solução familiar do problema que está a tentar resolver ou do conceito que está a tentar compreender. Por outras palavras, independentemente do conceito, do problema ou da tarefa que tem em mãos, os circuitos neurais utilizados serão os mais povoados. De certa forma, é como se esse pensamento estivesse a viajar ao longo de uma estrada bem pavimentada e conhecida.
Agora a pergunta que se impõe: e se o problema em que está a trabalhar necessitar de novas ideias ou abordagens? Conceitos que nunca pensou antes? Se nunca teve o pensamento que necessita antes, como é que o vai gerar?
Além de não saber como é e onde está aquele padrão, o seu cérebro mantém-no preso aos padrões de pensamento familiares. Não serve para a nova solução, pois não?
Para aceder a este novo padrão de pensamento, necessita de um modo diferente de pensamento. O modo de pensamento difuso permite percorrer padrões muito mais alargados (sem fronteiras) e aceder a associações e conexões, nunca antes realizadas. O pensamento descola e move-se de, forma alargada, e viaja grandes distâncias no cérebro – saltando os padrões apertados e familiares do pensamento focado.
No modo de pensamento difuso, pode olhar para as coisas de forma ampla, a partir de uma perspetiva panorâmica bastante diferente. A partir daqui, pode realizar novas conexões neurais e utilizar outros caminhos.
Neste modo de pensamento, não consegue concentrar-se tanto como necessita para resolver qualquer problema ou mesmo para compreender os aspetos mais detalhados de um conceito mas coloca-se na posição certa para encontrar soluções.
De acordo com descobertas recentes, ou está em modo de pensamento focado ou difuso. Não pode estar nos dois ao mesmo tempo. É como uma moeda. Ou vê a cara ou a coroa.
Estamos muito mais tempo, em média, no modo focado do que no modo difuso. No entanto, o modo difuso é fundamental para dar saltos ao nível da inovação e criatividade e encontrar soluções para problemas novos. Aqui, a questão fundamental prende-se com o facto de podermos entrar no modo focado de forma deliberada enquanto que a entrada no modo difuso é feita de forma indireta. Querer não é suficiente.

Usando os modos de pensamento focado e difuso
A grande maioria das pessoas que ficaram famosas e entraram para história pelo seu génio criativo, no que diz respeito às artes, cultura e mesmo ciência, tinham um padrão, relativamente à utilização dos seus modos de pensamento para os ajudar na resolução de problemas.
Thomas Edison foi um dos inventores mais brilhantes de sempre. É público que era um péssimo aluno e que, praticamente, não frequentou a escola. O seu professor, Padre Engle, disse que Thomas Edison “tinha o diabo no corpo, não parava de fazer perguntas e tinha dificuldade em aprender”.
Como é que conseguiu gerar tantas ideias criativas? De acordo com alguns registos, Edison costumava sentar-se na sua cadeira com alguns berlindes na mão. Primeiro, focava-se no problema, tentando resolvê-lo, de forma sequencial (modo focado), até não conseguir progredir mais. Em seguida, deixava a sua mente livre, entrando num estado muito mais relaxado, mantendo o assunto em que se estava a focar, em mente. Quando Edison adormecia, os berlindes caíam e faziam barulho ao colidir com o chão. Edison acordava com ideias novas – construídas a partir do seu modo de pensamento difuso – e pronto a focar-se e a construir soluções a partir delas.
Quando está a aprender algo novo – não interessa se é informação, habilidade ou resolução de problemas -, especialmente se for desafiante, a sua mente necessita de conseguir andar para trás e para a frente, entre os dois modos de aprendizagem. É a melhor forma de evoluir efetivamente. Uma boa analogia é o levantamento de pesos. Nunca vai planear competir num concurso de levantamento de pesos se esperar até ao dia anterior para treinar como um fanático. Não é assim que se constrói músculo. Necessita de trabalhar um pouco todos os dias para permitir que os seus músculos cresçam, gradualmente, oscilando entre o stress e a recuperação.
Da mesma forma, para construir neuro-estrutura, que facilite a aprendizagem e a resolução de problemas, necessita de trabalhar um pouco todos os dias, permitindo, gradualmente, que um suporte neural se desenvolva para suportar o seu pensamento. Um pouco, todos os dias. Esse é o truque.

Ganhe no seu mundo. Treine no nosso.
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